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Mulheres dominam o novo sertanejo do Brasil

Mulheres ampliam domínio no sertão cada vez mais pop e rentável do Brasil

É sintomático que Bruna Viola tenha incluído regravação de Marvada pinga (Laureano, 1953) no repertório dos recém-lançados CD e DVD Melodias do sertão ao vivo,  primeiro registro de show da discografia desta cantora, compositora e violeira nascida há 23 anos em Cuiabá (MT) e batizada Bruna Villas Bôas Kamphorst. A Moda da pinga, como a música é popularmente conhecida, é associada à voz de Inezita Barroso (1925 - 2015), cantora paulistana que abriu alas para as mulheres no universo da música ruralista, reduto tradicionalmente masculino. A associação de Bruna com o repertório de Inezita é importante neste momento em que as mulheres ampliam o domínio no rentável mercado pop sertanejo.

Esse domínio vem sendo expandido pelo sucesso de Bruna, pela explosão da cantora e compositora goiana Marília Mendonça (sobretudo nas regiões Centro-Oeste e Nordeste do Brasil) e pela popularidade crescente de duplas como Maiara & Maraísa - egressas de São José dos Quatro Marcos (MT) - e Simone & Simaria, irmãs nascidas em Uibaí (BA) que migraram para o centro do universo sertanejo. O fato de tantas vozes femininas estarem se fazendo ouvir em um sertão cada vez mais pop é sinal de que o crescimento do território feminino nesse segmento musical não é nuvem passageira.


Como em todas as áreas da sociedade, as mulheres também tiveram que lutar para se impor na música brasileira. Em atividade desde 1947, as paulistas Irmãs Galvão - hoje conhecidas como As Galvão - foram as pioneiras no segmento sertanejo. Inezita também começou a carreira nos anos 1940, mas somente começou a gravar discos na década seguinte, construindo obra fonográfica de caráter mais regionalista e folclórico do que propriamente sertanejo. Mas o poder continuou com os homens. Tanto que demorou três décadas para que uma nova mulher, a cantora e compositora paraibana Roberta Miranda, começasse a se fazer ouvir, a partir da segunda metade dos anos 1980.


Roberta logo se tornou campeã de vendas no mercado fonográfico da época, mas, curiosamente, o sucesso nacional da compositora de Vá com Deus (1987) não impulsionou a carreira de outras cantoras do gênero. Somente a cantora e compositora mineira Paula Fernandes - na estrada desde os anos 1990, mas projetada somente a partir de 2008 - quebrou o hiato, se impondo como espécie de sucessora tardia de Roberta, sobretudo de 2011 em diante. Daí a importância de tantas mulheres estarem fazendo sucesso no universo sertanejo ao mesmo tempo nestes anos 2010.


Bruna Viola ainda faz links com a tradição na carreira fonográfica iniciada no ano passado com a edição do álbum Sem fronteiras (Universal Music, 2015). Já Marília Mendonça - uma das campeãs de arrecadação de direitos autorais na atualidade - e duplas como Maiara & Maraísa falam a língua pop do sertanejo atual. Por isso, elas se comunicam tão bem com o público desse gênero, hoje muito voltado para o tom festivo das baladas, embora o romantismo ainda seja elemento recorrente na construção do repertório.


A rigor, o universo sertanejo ainda continua predominantemente masculino. Mas as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço - e tudo indica que não haverá retrocesso nessa conquista tardia. Tal como em outros setores de uma sociedade ainda machista como a do Brasil, as mulheres estão falando alto.

Fonte: Globo.com

(Foto: reprodução parcial da capa do DVD Melodias do sertão ao vivo. Bruna Viola em foto de Washington Possato)

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